Brazil
10 de junho de 2025

O controle de plantas daninhas segue sendo um dos principais desafios da agricultura brasileira, especialmente diante do avanço de casos de resistência e da perda de ferramentas de manejo ao longo dos anos.
Para o gerente de desenvolvimento de trigo da GDM, Giovani Facco, o trigo está cada vez mais inserido em uma posição estratégica no combate às plantas daninhas e na busca pela sustentabilidade da propriedade.
O manejo de invasoras já é um dos principais desafios da agricultura. Estamos perdendo mais ferramentas do que ganhando. Porém, a maior parte dos produtos que utilizamos na cultura do trigo não podem ser utilizados na soja. No milho, são usados apenas de forma parcial. Então usar a cultura do trigo é posicionar um jogador estratégico dentro do campo agrícola.
E a forma de auxiliar o sistema produtivo é realizar um bom manejo antes e depois do ciclo da cultura. “Temos que estabelecer a cultura no limpo, fazer uma boa dessecação e controlar todas as plantas daninhas que ali estão de forma antecipada. Controlar elas enquanto ainda estão pequenas se torna muito mais eficiente e barato”, afirma o especialista em herbicidas e manejo de plantas daninhas, Cristiano Piasecki.
Segundo o especialista, para manter a cultura no limpo após o estabelecimento, é fundamental o uso de herbicidas pré-emergentes, que deixarão o período residual de controle. “Aí, se necessário, podem ser feitas intervenções com herbicidas pós-emergentes para controlar aquelas plantas daninhas que eventualmente consigam escapar do pré-emergente”, acrescenta.
As principais invasoras do trigo
As principais plantas daninhas do trigo variam conforme a região do país. Porém, de forma geral, o azevém, a aveia e o nabo costumam ser as mais visadas. Além dessas, plantas como buva, cipó de veado, flor roxa, cravorana, leiteira, picão preto, bem como voluntárias de soja ou milho, podem gerar problemas na lavoura de trigo.
“As plantas voluntárias de soja e milho, além de competirem por recursos com o trigo e reduzirem a produtividade da lavoura, são hospedeiras de pragas e doenças”, menciona Piasecki, se referindo, sobretudo, à ferrugem-asiática, principal doença da soja na Região Sul atualmente.
Quais ferramentas utilizar para manejar invasoras em trigo?
Diversos produtos podem ser utilizados, tanto em pré, quanto em pós-emergência, para o controle de plantas daninhas em trigo.
Entretanto, Piasecki ressalta: “O ideal é sempre fazermos o manejo antecipado, o que chamamos de manejo outonal, realizado logo após o cultivo de verão, manejando plantas pequenas e utilizando pré-emergentes”.
No momento da dessecação, antes do estabelecimento da cultura, o especialista indica algumas ferramentas. “Especialmente o cletodin e o haloxifop, quando associados ao glifosato, trazem um efeito interessante”, comenta.
“Vale a pena destacar a necessidade de fazermos uma aplicação sequencial. Então, sempre recomendo fazer um glifosato mais um graminicida e, após o intervalo, em torno de 10 a 15 dias, entrar fazendo a sequencial. Geralmente, usando glufosinato de amônio associado a um herbicida inibidor da PROTOX. Glufosinato combinado com tiafenacil, flumioxazina ou saflufenacil são excelentes opções dentro desse contexto. Diquate mais flumioxazina também é uma opção a ser considerada para aplicação sequencial”.
Quando se fala em herbicidas pré-emergentes, em especial para combate do azevém, as principais opções são a piroxasulfona, o S-metolacloro, a trifluralina, o bixlozona e a flumioxazina.
Buscando um manejo antecipado, Piasecki cita também a mistura de atrazina e mesotriona. “Pode ser aplicado de 1 a 1,5 litro, cerca de 30 a 60 dias antes da semeadura do trigo, deixando um residual muito interessante pensando no manejo das plantas daninhas dentro do sistema”.
Em relação aos herbicidas pós-emergentes disponíveis para a cultura do trigo, algumas opções se destacam. “Podemos citar o pinoxadem, o clodinafope-propargil, o iodosulfurom-metílico e o piroxsulam, principalmente para manejo de azevém. Vale destacar que iodosulfurom e o piroxsulam são herbicidas inibidores da enzima ALS, o que pode reduzir o controle, uma vez que existem casos de resistência a essas moléculas no campo”, assinala.
Como opções em pós-emergência para folhas largas, como nabo ou cipó de veado, Piasecki destaca ainda o saflufenacil, o 2,4-D e o metsulfurom-metílico como as principais opções do mercado.